sexta-feira, 29 de junho de 2012

AVESSO


O sol, o pôr
O mato, o pássaro
As flores, as garças
Capivaras, sons

Ouço lampejos no coração
Tilinta o canto da despedida
Da depressão, pressão
Confusão

O mundo tá pra lá de gripado
Tá tudo ao avesso, tudo errado
Tudo arde e não tem receita
Diz ter cura, mas não tem mistura

Ouço a porta e vejo entre as fendas
O verde com fagulhas de alegria
Tentaram apagar o branco
Mas o branco é interno, cada qual tem o seu

terça-feira, 19 de junho de 2012

Uma Prece


Entrego minha dor à onda mais rasteira que chegar
Não mais dou conta de caminhar sem sentir esse teu cheiro
Me embala, me nina, me ensina a aceitar
Sana minha mente, afaga meu coração, me enche de sal
Sou como sede não aliviada, sou chão, sou fogo, sou também água
Tenho lã, tenho espada, lança e coroa
Tenho ventre e um menino para cuidar
Mas invoco aos 4 cantos:
Sou filha da Dona, Odô-fe-iaba!
Sou filha do mar, Odô-fe-iaba!

sexta-feira, 15 de junho de 2012


Ele vem e penetra a epiderme
Eu cedo, com-preendo, me dou
Arrisco, vivo, quebro a perna mais uma vez
Me sangro e visito a razão
Ela não me recebe, não cruza com a emoção, minha
Retorno com a esperança de um dia entender
Eu sigo levando um coração sadio
Eu volto levando um coração dormente
À espera da chuva eu canto e desencanto
Resisto levando um coração 

sábado, 9 de junho de 2012

ORAI E VIGIAI

tudo é lícito, mas nem tudo convém
tudo é lícito, mas nem tudo edifica
semeadura >> liberdade
colheita >> justiça

segunda-feira, 4 de junho de 2012

disposição de alma


Por afeto se diz disposição de alma
Eu, inteira, disposta a tudo, a dar
Sofro em meu silencio, em minha solidão
Em meu eu mais profundo
Grito o amor e ninguém o escuta
Sacolejo-o e Ele não percebe
Com o corpo dormente dou alguns passos
Não páro. Volto, recomeço, até corro
Canto um encanto e me desfaço
Danço um passo e escorrego
Levanto, rezo um novo início
Suspiro e contemplo a alma, sem medo